nº 1658 – Homilia do 11º Domingo Comum (18.06.17)

“Jesus compadeceu-se das multidões”

Compaixão é missão

Jesus, em seu ministério, quis associar a Si, discípulos que pudessem exercer sua missão e continuá-la. O discurso sobre a missão inicia-se com o chamamento dos doze apóstolos. A seguir dá-lhes a instrução sobre como agir em sua missão da qual são continuadores. A missão dos doze não nasce de um projeto feito em escritório. Nasce do olhar compassivo de Jesus que “ao ver a multidão, teve compaixão dela, porque estava cansada e abatida como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36). Esse olhar de quem ama e sabe se compadecer é a fonte, o móvel e a razão da missão. É esse olhar compassivo que vai dar o modo de realizar esta obra redentora de Jesus. Junto à compaixão de Jesus, encontramos seu pedido: “Pedi ao Senhor que envie operários para sua colheita” (Mt 9,38). Por que Jesus pede que se reze para que Deus mande operários? Ele não sabe? Dá a perceber que o Pai é quem sabe quem poderá exercer a missão da compaixão para como os abandonados. Rezar pedindo operários é um ato de fé que abre o coração para que a bondade de Deus continue sempre presente, mesmo nessas coisas que são, às vezes, claras. Como Deus sempre chega antes que possamos nos manifestar, o pedido por operários quer prevenir que a multidões sofridas não fiquem sem socorro. Por isso quer escolher aqueles que Ele quis. Quer operários formados na compaixão de Jesus. Nossas exigências podem escolher operários que não realizem os planos de Deus.

Eis os nomes dos doze

“Estes são os nomes dos doze apóstolos”. Trata-se personalização o fato de dizer os nomes. Cada apóstolo tem seu nome e sua característica pessoal. O apóstolo não é um número, não é uma empresa, não é um funcionário. Ele é o homem concreto que assume com Jesus a missão. Cada um é único. O homem é chamado pelo nome e conhecido na sua realidade com seus dons e defeitos. O grupo escolhido por Jesus tem diversidade de pessoas e de caráter e condições. Aqui se dá uma pista para nosso trabalho de formação de discípulos para a missão de Jesus: não engessar todos no mesmo modelo. Temos essa tentação e até definição que todos têm que realizar o mesmo programa e apresentar o mesmo padrão. Assim, muitos não serão atendidos porque não há quem possa se reconhecer neles. A formação dos operários do Senhor tem o mesmo padrão, fará a mesma obra, com os mesmos princípios. Não foi assim que Jesus fez. Por isso podemos notar a falta de operários para a messe. Pior, cresce o abandono de muitos. Quem sabe, personalizando mais a formação, poderemos dar mais socorro aos que são diferentes.

Um Reino que chega

A missão do apóstolo é anunciar a proximidade do Reino. O anúncio feito pelo discípulo é mostrar ao mundo que Deus está perto. Isso será provado pelas curas que fazem em nome de Jesus. Atinge o homem completo, em sua situação.  O Reino só vai se tornar presente com nossa ajuda, pois a eliminação da dor, da doença, da morte e do mal são indícios da presença atuante do Reino de Deus, isto é, do mundo novo que Deus quer criar. É necessário que esta pregação renove a condição humana. Uma das condições para ser discípulo é ter o olhar compassivo de Jesus, pois somente assim podemos fazer o que fazia. O que fortalece a fé dos discípulos é a certeza do amor de Deus. Amor de Deus é o Reino. Este Reino não é uma teoria, mas um amor que é um dom: “a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8).

Leituras: Êxodo 19,2-6ª; Salmo 99; Romanos 5,6-11; Mateus 9,36-10,8

Ficha nº 1658 – Homilia do 11º Domingo Comum (18.06.17)

  1. A missão dos doze discípulos não nasce de um projeto racional. E sim do olhar compassivo de Jesus que “ao ver a multidão, teve compaixão dela”.
  2. “Estes são os nomes dos doze apóstolos”. Trata-se personalização o fato de dizer os nomes. Cada apóstolo tem seu nome, sua característica pessoal e missão particular.
  3. Uma das condições para ser discípulo é ter o olhar compassivo de Jesus, pois somente assim podemos fazer o que fazia.

Emprego novo 

            O povo do Antigo Testamento nos traz a experiência de ser povo de Deus. O que lhe dá garantias é ouvir sua voz. Assim ele é uma nação santa. Jesus também está sempre falando aos seus confiando-lhes os compromissos do Reino. Como no Antigo Testamento constituiu um povo, agora constitui a base do novo povo que são os doze apóstolos

            Para esse Reino ir adiante e se implantar, Jesus escolheu homens que fossem continuação de sua missão e sua presença no mundo. São a nova nação santa e reino de sacerdotes.

            Essa missão é transformadora. Vão eliminar o poder do mal que atinge a pessoa até em seu físico. Há tantos tipos de doenças frutos do mal. Para essa missão escolhe homens simples, do povo e cheios de boa vontade. São os doze apóstolos.

            Por mais que tenhamos de organizar a vida da Igreja e arranjar novos colaboradores, quem os dá é  o Pai. Ele sabe quem é a pessoa certa para o lugar certo. Por isso Jesus manda pedir: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois ao dono que envie trabalhadores para sua colheita” (Mt 9,37).

            Não se trata somente de padres ou bispos, mas também tantos leigos são chamados para assumirem grandes missões. Tudo seja gratuito, pois recebemos de graça.

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