nº 1694 – Homilia do 29º Domingo Comum (22.10.17)

08“Restituí a Deus o que é de Deus” 

Eu sou o Senhor

            O texto do evangelho de Mateus (22,15-21) faz conjunto com outros dois momentos em que Jesus é tentado por seus inimigos. Tocam pontos centrais da vida do povo: primeiro o tributo a Cesar, isto é, o imposto pago ao dominador romano. O segundo é a vida futura, com a ressurreição dos mortos. O terceiro é o núcleo da fé. “Querem apanhar Jesus em alguma palavra” (Mt 22,15). Qualquer resposta de Jesus daria errado e seria um motivo de acusação. Era um dilema. Como conclusão, Jesus faz uma pergunta, como fizeram e eles não puderam responder porque era um dilema. O povo, que tinha Deus como seu Rei, estava dominado pelos romanos. Se negasse o imposto seria rebelião. Os herodianos representavam essa situação de cooperação. Se dissesse que devia pagar, ofendia o sentimento do povo. Falsamente fazem elogios a Jesus reconhecendo como mestre que ensina o caminho de Deus. O diálogo é bem claro. Ele pede uma moeda e pergunta de quem é a imagem. De Cesar, respondem. Os judeus que não podiam com imagens, carregam a imagem de Cesar na moeda. Que restituam a Cesar o que é dele. Mas que se dê a Deus o que é Dele.  Tudo é Dele, pois criou tudo. Criou também Cesar e seu dinheiro, sua imagem, sua inscrição e seu tributo. Sobre a fronte do homem escreveu com o Dedo, o Espírito Santo, seu nome Divino e o assinalou. Tudo converge para Cristo (Ef 1,10). Deus é grande e muito digno de louvor; é mais terrível e maior que os outros deuses… (Sl 95).

Deus se serve dos homens

Deus dirige a história. Acolher o Reinado de Deus é sabedoria. Não podemos interpretar o texto do evangelho sobre o imposto no jogo nos fariseus e herodianos: ou um ou outro… Não se deve separar Divino e humano. Paulo ensina que “tudo se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus… aquele que se revolta contra a autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus” (Rm 13,1-2). “A autoridade, contudo, não é autônoma nem autocrata, não dá as leis por si, nem se dá o poder por si. Deve levar em conta Deus e os homens” (T.Frederici 1047). A interpretação do texto deve ser dada pela primeira leitura que usa um movimento político histórico de Ciro que invadira a Babilônia e dera a liberdade aos exilados judeus no ano 538 AC. Ele o fez para ter a benevolência dos povos, mas é usado como um instrumento nas mãos de Deus. É escolhido por Deus e unge como enviado seu. Se lermos os caminhos de Deus, podemos saber que os acontecimentos são um dom de sua graça. Uma autoridade que se preze vai se colocar diante de Deus e procurar qual a missão que Deus me deu nesse cargo que ocupo.

Força do Evangelho

            A força do Evangelho no mundo das pessoas não é só uma “política divina”. Paulo ensina que “O evangelho não chegou a vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo; e isso, com toda a abundancia” (1Tess 1,5b).                                       A força de Deus é transformadora. Jesus clama para que saibamos ler os sinais dos tempos. Esses realmente são válidos para nós. Deus não está cuidando do mundo como um mestre de obras que segue toda a construção. Para isso, colocou nas pessoas condições de poderem fazer os caminhos de Deus e sua vontade a partir da opção fundamental que é “Eu sou o Senhor e não existe outro” (Is 45,6). Rezamos: “Dai-nos servir-vos de todo o coração”. O que se espera é que Cesar também reconheça Deus e a imagem de Deus em cada pessoa. Vemos que os males do mundo aumentam porque não se tem uma direção: seu Criador.

Leituras:Isaias 45,1.4-6;Salmo 95; 1Terssalonissences ,11-5; Mateus 22,15- 21

Ficha nº1694 – Homilia do  29º Domingo Comum (22.10.17)

  1. Os fariseus querem pegar Jesus numa palavra. Questão tributo a Roma. Jesus responde: restituam a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.
  2. Deus dirige o mundo através das pessoas.
  3. A força do Evangelho acontece pelo Espírito Santo através das pessoas. 

            Cara ou coroa?        

            Esse texto do evangelho de Mateus sobre o imposto a Cesar tem sido difícil de interpretação. Os fariseus e os herodianos queriam pegar Jesus em uma opinião que lhe causasse problema. É um dilema. Qualquer resposta que desse, lhe causaria muito problema. Ou seria contra o dominador romano ou seria contra o povo. Jesus pede uma moeda e pergunta: “De quem é a figura e a inscrição”? (Mt 22,20). “Então dai a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus” (21). Que podemos entender? Podemos pensar que há dois poderes diferentes aos quais devemos nos sujeitar: o Divino e o humano. Por outro lado, a leitura do profeta Isaias nos lembra que Deus usou Ciro, rei pagão, para salvar o povo. Leva-nos a compreender que “Cesar”, o poder civil, deve estar a serviço de Deus de onde vem todo poder. É o que rezamos no salmo 95: “Ó família das ações, dai ao Senhor, ó nações, daí ao Senhor poder e glória. Dai-lhe a glória devida a seu nome… Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”

            Paulo pede que se reze pelas autoridades: “Recomendo que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens, pelos reis, e todos os que detêm a autoridade”(1Tm 2,1-2).

 

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