nº 1714 – Homilia da Sagrada Família (31.12.17)

“Família, Sacramento da Redenção.” 

Deus é família

 Quando queremos falar bem de uma pessoa que nos impressiona, dizemos: ele é muito família. Refere-se a uma qualidade que supre muitos defeitos. A família é seu referencial primeiro. O texto de Lucas narrando a consagração de Jesus declara-O, pela lei, pertencente a Deus. No livro do Êxodo, os primogênitos dos judeus eram propriedade de Deus pelo fato de terem sido poupados na matança dos primogênitos no Egito. Deviam ser resgatados (Ex 13,2). Assim cumprem a lei. A família de Jesus se alarga com Simeão e Ana, que viviam a esperança do Messias e reconhecem o Menino. Maria está envolvida no sofrimento do Filho. A família se torna o berço e a escola de formação de Jesus: “Voltaram a Nazaré, sua cidade. O Menino crescia e se tornava forte, cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele” (Lc 39-40). As virtudes familiares que Paulo ensina aos Colossenses são a explicitação do mandamento “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,17). Aqui podemos compreender um pouco mais sobre o sacramento do matrimônio. É a realização do mandamento do amor. O matrimônio não é uma cerimônia do passado na qual se assinam papéis, mas é uma aliança que se define pela opção ratificada na celebração. O sacramento não é só um papel passado ou um juramento. A matéria do sacramento não se reduz ao sim, mas à entrega de vida que vai penetrar o casal e todos da família e da comunidade. O Sacramento do Matrimônio se estende por toda vida e envolve a todos

Sacramento da família

Aprendemos que o sacramento dá a graça. O batismo dá graça santificante e os demais sacramentos a levam às diversas situações da vida que são santificadas pelos sacramentos. A leitura de Eclesiástico nos mostra que o sacramento do matrimônio envolve pais e depois os filhos para receber e fazer crescer a graça. Temos o quarto mandamento que manda “Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem seus dias sobre a terra” (Ex 22,12). Esse mandamento encabeça os demais que se referem ao próximo. Sendo um sacramento que se dirige à família, o livro do Eclesiástico (3.3-7.14-17) apresenta como garantia de vida longa e bênçãos. É instrutivo como um estatuto para a vida dos idosos ensinando o respeito e o amor constante. O mandamento tem também uma dimensão espiritual: alcança o perdão dos pecados, evita cometê-los e é razão para ter suas orações ouvidas. A força sacramental do matrimônio permanece na vida da família envolvendo também os pequeninos e os idosos. As virtudes nascem desse sacramento.

Dias com Deus.

Como a família acontece no dia a dia, temos um processo de realização humana e salvação. Sempre pensamos os sacramentos como uma celebração na Igreja e nos esquecemos de sua ligação com a vida concreta. A família é a célula primeira da Igreja. Por isso falamos de igreja doméstica. Daí se desenvolve para a instituição que deverá se desenvolver como família. O contrário pode se tornar um corpo que é só uma ideia. Na pastoral não damos atenção suficiente para a família de modo a tê-la como ponto de partida mas sim, como uma pastoral. Deveria ser o contrário. Certa vez uma família trouxe duas crianças para a primeira comunhão. Diziam: Nós preparamos em casa. Assim fomos preparados. Quem sabe fosse diferente nossa pastoral se a família fosse a base.

Leituras:  Eclesiástico 3,3-7.14-17ª ; Salmo 127; Colossenses ,12-21.Lucas 2,22-40

Ficha nº 1714 – Homilia da S. Família (31.12.17)           

  1. Partindo da família de Nazaré, temos a família como primeiro passo para a salvação.
  2. A família tem a dimensão de graça e salvação como realização do mandamento do amor.
  3. A família é a Igreja doméstica, que é a primeira célula da Igreja. 

            Menino de Família 

Quando celebramos a festa da Sagrada Família, temos sempre a imagem da serenidade e de um mundo distante do nosso. A gente sempre pensa: devia ser bonito e tudo sereno. Será? Eram pobres, felizes, mas de vida dura.

Em que podem ser exemplo para nós? A Palavra de Deus orienta a partir do fato da apresentação de Jesus ao templo: obedecendo à lei de Deus, mas profundamente aberta ao Espírito Santo que dava sentido à vida de Jesus e de sua Família. Temos aí a figura do velho Simeão que acolhe Jesus, movido pelo Espírito Santo.

Qual é o papel do Espírito Santo em nossas famílias?

Simeão e Ana eram idosos cheios do Espírito Santo e da Palavra de Deus que os levou a discernir Jesus no meio de tantos outros meninos que eram apresentados ao templo.

A leitura do livro do Eclesiástico nos coloca diante de um texto que faz da família um verdadeiro sacramento. Faz pensar que o sacramento do Matrimônio não é importante porque é uma lei eterna, mas que a eternidade da lei está na força redentora da família.

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