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nº 1727 Artigo – “Quarta-Feira de Cinzas”

  1. Quaresma, tempo de graça

            “No decorrer do ano, a Igreja comemora em dias determinados a obra salvífica de Cristo”… “Nos vários tempos do ano litúrgico, aperfeiçoa a formação dos fiéis por meio dos exercícios espirituais e corporais, pela instrução e oração e pelas obras de penitência e de misericórdia” (HGMR, 1).Todo ano é caminho espiritual e formativo na fé e na prática cristã. Iniciamos a caminhada para a Páscoa que é o centro da vida cristã e das celebrações. “Nela Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus… quando morrendo destruiu a nossa morte, ressuscitando renovou a vida” (Ibd 18). A finalidade da Quaresma, que se formou e tomou formas diversas durante os séculos, é preparar a celebração da Páscoa. Ela se destina a preparar os batismos pelo catecumenato, como também preparar os fiéis para comemoração do batismo e pela penitência. A Igreja precisa renovar e aprofundar espírito quaresmal. Da Quaresma guardou só o carnaval que era a despedida das “carnes” para iniciar o tempo forte do jejum e penitências para esse momento fundamental da nossa fé. Os tempos mudaram, a Quaresma perdeu sua característica tão típica nesse período do ano. Não adianta voltar, mas encontrar novos modos para que o Mistério Pascal de Cristo penetre nossas vidas e seja fonte de perene renovação para a vida das comunidades. Não só uma mudança de cores mas de vida.

  1. Imposição das Cinzas

            A cerimônia de imposição das cinzas sobre a cabeça vem de longa data. Já no Antigo Testamento temos muitos momentos em que a penitência e o arrependimento são demonstrados com as cinzas. Jesus usa esse modo quando fala da impiedade das cidades de Corazim e Cafarnaum. Diz que cidades pagãs, se tivessem visto seus milagres, teriam se arrependido com cilício e cinza (Mt 11,21). O fundamental não é a cinza, mas a conversão e o arrependimento. Quando havia ainda a penitência pública, os penitentes deveriam receber as cinzas para fazer a penitência. Esses pecados públicos eram os que feriam diretamente a comunidade. Na Quarta-Feira era o início da Quaresma (40 dias antes do Tríduo Pascal) e eram reconciliados publicamente na Quinta-Feira Santa num solene ritual. Somente pelo século IX foi dada a todos os fiéis. Por que 40 dias? O número é simbólico, como vemos em outros momentos da história do povo de Deus. Significa um tempo completo. As cinzas também nos lembram a fragilidade de toda criatura. Recordam ao homem que ele é pó, cinza, conforme nos traz o livro do Gênesis 19,3: “Lembra-te que és pó e ao pó retornarás”. A cerimônia atual recorda mais que a fragilidade e o dever de conversão que se fazem através do Evangelho: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

  1. Vivendo a Quaresma

A liturgia traz um programa e apresenta os três modelos eficientes tirados da pregação de Jesus para a vivência cristã. São simples, não tem mistério, não precisa de algo especial para acontecer em nossa vida. O Senhor faz acontecer quando nos abrimos à simplicidade da fé: esmola, oração e jejum. É tempo de rezar mais, de procurar fazer a caridade. Jejum não é passar fome, mas deixar de lado os exageros e despojar-se do supérfluo. Papa Francisco traz uma bela lista de ações que podemos fazer na Quaresma que preenchem esse quadro. Já que não existe mais a Quaresma de antigamente, podemos fazer algo novo que recupere parte de seu sentido de conversão. Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus. Esta verdade precisa ser para nós.

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